Memórias de minhas putas tristes (Gabriel García Márquez)

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Memórias de minhas putas tristes é quase uma biografia sobre o amor. Gabriel García Márquez, como poucos, escreveu uma história que teria motivos suficientes para ser considerada inadequada por diversos motivos, pois fala de miséria, prostituição e da depressão que a velhice pode causar. Sobretudo o que se pode esperar dos últimos anos de vida e a descrença de que possa acontecer algo de bom além da iminente morte, que em tese acabaria com a sensação de ser um peso.

Inspirada pelo livro A casa das belas adormecidas do ganhador do Nobel, Yasunari Kawabata, a história fala a respeito de um senhor que quando completou noventa anos de vida, presenteou a si mesmo com uma noite de amor com uma adolescente virgem. O livro se assemelha também à história de Vladimir Nabokov, Lolita, que também fala a respeito de uma relação amorosa entre um homem com mais idade e uma adolescente, apesar da dinâmica das histórias serem diferentes, principalmente em Lolita, onde há uma grande diferença quando comparamos as adolescentes de Nabokov e García Márquez.

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A Seleção (Kiera Cass)

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A Seleção, de Kiera Cass, é aquele livro de que você lê três páginas e acha que viu a história em algum lugar antes. Isso porque qualquer escritor, que queira fazer sucesso com adolescentes, sabe usar bem esse tipo de enredo (ok, uns nem tanto assim): menina magrela e sem muito amor próprio que acaba se apaixonando por menino lindo, seguro de si e milionário. Ultimamente quem acompanha o blog, acompanhou o martírio da Anica com a série Cinquenta tons de cinza, que vai nessa linha também, numa vertente para adultos, somadas enormes doses de sexo e sadomasoquismo, ou a resenha que eu fiz para um livro semelhante a esse, Toda Sua. A Seleção passa longe dos exemplos adultos que citei, mas o que quero dizer é que ele é mais ou menos um primo distante dessa família de campeões, onde tudo começou com Crepúsculo e os vampiros fofos criados pela Stephenie Meyer.

Honestamente, nessa linha chick lit onde tudo é mais ou menos a mesma coisa, o maior ponto do livro é a protagonista, America. Para o meu espanto, gostei dela logo de início. Ela não tem a maturidade emocional de algum vegetal como Bella, Ana ou Eva, consegue agir por vontade própria e aparentemente quem comanda suas ações é seu cérebro e não seu coração. Isso a torna provavelmente a primeira personagem inteligente de um livro de chick lit, o que faz desta a melhor experiência em termos de protagonistas que tive até agora nessa área.

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Anarquia na passarela: A influência do movimento punk nas coleções de moda (Daniel Rodrigues)

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Todo mundo teve uma fase rebelde com calças rasgadas, cabelo bagunçado e camiseta do Sex Pistols  a tiracolo. Mesmo que ninguém nessa fase rebelde se considere ligado à moda ou a qualquer tipo de tendências ditadas pelo consumismo, não há como dissociar muito as passarelas do movimento punk. A ideia geral da palavra “moda” remete a roupas coloridas, com rendas e cheias de estilo, algo que muda de estação para estação. Provavelmente seja esse o maior problema do autêntico punk ao encontrar por aí bottons de bandas “coloridas” em jaquetas de couro e, é claro, penteados moicanos e tênis All Stars. Há de se convir que a moda precisa de influências e inspirações constantemente, atribui algumas características de modismos ao movimento.

O livro Anarquia na Passarela, de Daniel Rodrigues, traz um tom mais didático à discussão. Não é um manifesto punk contra os modismos, mas também não é defensor de uma indústria que é carente de inspiração. Entrou no meio termo. Isso só torna o livro mais interessante para quem não é ligado diretamente à moda ou participante do movimento punk.

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As boas mulheres da China: Vozes ocultas (Xinran)

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As boas mulheres da China, escrito pela jornalista e radialista Xinran, nem de longe é um livro fácil de ler. Já nas primeiras páginas me lembrou de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Apesar de serem bem diferentes, eles se assemelham no fato de que tornaram histórias trágicas em momentos sublimes de literatura. Um é ficção, e o outro infelizmente não. Xinran, ao longo de mais de dez anos, teve contato através de seu programa de rádio Palavras na brisa noturna com inúmeras histórias das mulheres chinesas e é nesse livro que ela encontrou uma maneira de levar seus relatos ao mundo.

Já no início do livro, temos a primeira história contada pela própria Xinran, de quando reagiu a um assalto, pois na bolsa havia a matriz de As boas mulheres na China. Indagada sobre o motivo da reação, perguntaram se o livro era mais importante que sua vida. Ela respondeu: “Claro que a vida é mais importante do que um livro. Mas, em muitos sentidos, o meu livro era a minha vida.” Portanto, há muito mais enraizado nesse livro para classificá-lo como um romance ou um livro jornalístico.

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Viva para contar (Lisa Gardner)

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Sou uma fã do gênero de suspense, adoro séries como Criminal Minds com roteiros repletos de psicologia e diversas reviravoltas. Iniciei Viva para contar pré-disposta a me divertir com a leitura, que, aliás, me caiu muito bem durante o início do meu TCC em educação especial – um dos motivos a mais para eu ler, já que boa parte da história fala de crianças com problemas psiquiátricos. A capa adianta: “Às vezes, os crimes mais devastadores são aqueles que acontecem perto de nós”, o que de certa forma entregou um pouco da história, mas nada a ponto de desistir do livro.

O livro é focado na história de três mulheres, a enfermeira Danielle Burton, a investigadora policial D. D. Warren e a dona de casa Victoria Oliver. A princípio elas não têm muito em comum, mas terão as vidas modificadas por uma série de crimes com os quais todas terão alguma ligação.

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Toda Sua (Sylvia Day)

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Todos nos lembramos das aulas de ciência, onde ao abrir o livro encontrávamos figuras de homens barbudos, com tacapes e apontando lanças para mastodontes. Esses foram os primeiros seres humanos e ao longo do tempo, sofreram diversas evoluções. Aprenderam a andar em duas pernas, falar e a viver em sociedade (ok, uns nem tanto). O que você descobre ao ler Toda Sua, é uma nova evolução do ser humano, o Ricaço lindo do pinto grande. Criatura peculiar essa.

Como em 50 tons de cinza, temos um exemplar desse (abra umas quinze aspas aqui, por favor) novo homem. Ele sempre é muito rico, muito bonito e com o pinto muito grande. Uma receita de sucesso que parece agradar a muitas mulheres, o que, aliás, nos leva a uma evolução (se é que eu realmente posso chamar isso de evolução, mas enfim) feminina, a Desmiolada sedenta por sexo. A desmiolada é realmente desmiolada e ao que parece o seu único objetivo na vida é saber quando terá o próximo orgasmo, oferecido por cortesia pelo ricaço (mencionei que uma característica importante do ricaço é ser uma máquina de fornecedora de orgasmos?).

A primeira coisa que se percebe ao pegar Toda Sua é que ele é vendido como melhor que 50 tons de cinza, porque isso está escrito por todos os lados. Sinceramente eu não sei se isso é um mérito. Quem acompanhou o martírio da Anica, sabe como esse livro é ruim de doer. Aliás, comparando o livro de E.L. James com esse primeiro exemplar da trilogia Crossfire, o mínimo que se pode dizer é que são histórias de “ricaços” com “desmioladas”. Não dá pra esperar muita coisa.

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Garotos malditos (Santiago Nazarian)

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Confesso que quando peguei para ler Garotos malditos do Santiago Nazarian eu torci o nariz. No início o livro me remeteu a alguma fanfic que eu li por aí e aquela sensação de déjà vu começou a tomar conta de mim. Comecei a ler um tanto receosa e quando me dei conta já estava às gargalhadas e na metade da história. Só me bastou deixar um pouco de lado o senso de noção que aprendi a nunca mais julgar um livro pela capa. Aliás, a capa é bem bacana, mas em minha opinião não vai atrair um público muito além dos adolescentes (ou quem goste de histórias para adolescentes).

A história é completamente absurda e por isso é divertida de ler. Já na contracapa temos uma pequena amostra onde diz: “Vampiros não são fofinhos. Lobisomens estão cheios de pulgas, e zumbis fedem como esgoto a céu aberto. Acredite em mim, eu sei do que estou falando”. Particularmente, queria há tempos uma história mais pop onde os monstros não são cheirosos, tampouco românticos.

A trama gira em torno de Ludo, um adolescente desajustado fã de filmes de terror e música gótica que caiu de paraquedas no colégio Pentagrama. E é nessa hora em que você para e se pergunta: Por que eu matricularia meu filho em um colégio chamado Pentagrama? A explicação é um tanto nonsense: Uma escola “especial” para alunos “especiais”, um universo alternativo para outros desajustados como Ludo. Bastou para os pais dele. Leia o resto deste post