Contos e Lendas dos Cavaleiros da Távola Redonda (Jacqueline Mirande)

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Quando lembramos de lendas, temos em nosso inconsciente imagens de heróis destemidos e mocinhas sofredoras. Afinal de contas, estamos falando de uma lenda: “Lendas são narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular. No que se tornam conhecidas vão sendo registradas na linguagem escrita.” ((Fonte: Significados.))

As lendas que cercaram a figura mítica do Rei Arthur e seus cavaleiros atravessaram gerações e até mesmo o conceito de “lenda”, enraizando-se no imaginário coletivo. Incontáveis versões em filmes, séries e músicas recriam esse mundo legendário de bruxas malvadas, bravos cavaleiros mas, acima de tudo, mocinhas desprotegidas. O livro foca em dois cavaleiros, Percival, o Galês, e Lancelote do Lago. O próprio Rei Arthur e a Rainha Guinevere ficam em segundo plano, aparecendo poucas vezes durante a história.

Na saga As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, as personagens Morgana e Gwenyfar (até a grafia do nome difere nesse caso) são bem diferentes. A primeira é uma fada boa e vítima das circunstâncias, quase um fantoche nas mãos de Viviane, já a segunda é mostrada como uma esposa infiel. Já em Contos e Lendas dos Cavaleiros da Távola Redonda, quem é malvada é Morgana, e Guinevere é um exemplo de lealdade (mesmo encantada com a devoção de Lancelote). Isso tudo significa ficar pensando em alguns momentos: “Mas o que esse cara está fazendo se comportando desse jeito?”

Voltando ao universo de cavalaria: Ser membro da ordem dos cavaleiros do Rei Arthur era o sonho de qualquer jovem da época. Isso significava viver uma aventura e ter um amor diferente em todos os lugares, uma vida repleta de aventuras e histórias. Porém, tanto Percival quanto Lancelote foram fiéis a suas amadas, Branca Flor e Guinevere, sempre se mostrando “puros” aos seus ideais. Alguns elementos de romance e religiosidade foram mantidos nessa “versão” voltada ao público mais jovem, o que de certa forma mantém o tom romantizado do mundo da cavalaria e do feudalismo, porém de uma maneira mais simples de ser compreendida.

Nas aventuras de Percival, temos o encontro com o Cavaleiro Vermelho, a paixão por Branca Flor e o encontro com o Rei Pescador (é, é aquele do Graal). Já nas aventuras de Lancelote, além de toda a honra e bravura descritas é necessário citar a fidelidade quase canina ao Rei Arthur, sobretudo à Guinevere (se você conhece alguma outra versão desse amor, vai se decepcionar – aqui eles nem se encostam). A cada dez palavras ditas por ele, pelo menos a metade delas é dedicada a um dos dois.

O ponto alto do livro é certamente o público para qual está voltado; os jovens. Ele funciona exatamente por isso, para quem não conhece muitas versões da história é um ótimo aperitivo para despertar a curiosidade do leitor para ir atrás de mais, porém, o livro não vai muito mais além do que isso: um aperitivo para um mundo novo.

Contos e Lendas dos Cavaleiros da Távola Redonda
Jacqueline Mirande
Tradução de: Eduardo Brandão
Páginas: 184
Sugestão de Preço: R$ 32,50

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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